A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia,
afirmou nesta segunda-feira (1º) que vai se reunir com os presidentes
dos 27 tribunais regionais eleitorais (TREs) para discutir detalhes da
realização de um plebiscito sobre a reforma política. A reunião está
marcada para a manhã desta terça-feira.
Em meio à última sessão do TSE do semestre antes do recesso de julho,
Cármen Lúcia informou que tinha uma "comunicação importante" a fazer.
Ela disse que recebeu por volta de 11h30 desta segunda o ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, de quem recebeu uma carta da presidente
Dilma Rousseff.
O documento informava, segundo ela, que a presidente pretende sugerir
ao Congresso a realização de um plebiscito sobre reforma política e que
precisaria saber o "tempo mínimo" para a operacionalização da consulta.
"Gostaria de informar vossa excelência, que pretendo sugerir aos
membros do Congresso Nacional, a realização de um plebiscito sobre
reforma política. [...] Diante disso, consulto vossa excelência, sobre o
tempo mínimo, bem como procedimentos necessários, para a
operacionalização [..] da referida consulta", leu Cármen Lúcia.
Apesar da comunicação oficial só ter ocorrido nesta segunda, Dilma já
havia ligado para Cármen Lúcia para fazer a consulta e a presidente do
TSE já havia mobilizado os departamentos técnicos.
Nesta segunda, ela informou que, diante da consulta, usará a reunião
previamente marcada com os presidentes dos TREs para tratar do tema.
"Há uma escolha política pelo plebiscito. Cabem agora a todos os
setores técnicos do tribunal fazerem estudos. Eu convidei os presidentes
dos TREs para amanhã, aqui no Tribunal Superior - mantemos reuniões
todos os meses -, mas diante desse comunicado me entregue formalmente
hoje (segunda) vou conversar com todos eles."
Cármen Lúcia não deu previsão de quanto tempo levará para obter os dados solicitados pela presidente.
A ministra voltou a dizer que o tribunal está "preparado" para cumprir a
Constituição, que prevê a realização de consulta popular. "Os órgãos
técnicos deste tribunal estão fazendo estudo para saber o tempo mínimo e
os procedimentos. É certo que a Justiça eleitoral está pronta,
preparada sempre, mas o TSE e a Justiça eleitoral brasileira têm seus
procedimentos, sistemas, prazos necessários. Isso será formalmente
divulgado."
Mais cedo, depois da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela já havia dito que o TSE estava " sempre preparado ".
'Coisas mal organizadas'
Após o anúncio, o ministro Gilmar Mendes, que estava substituindo Marco
Aurélio Mello na sessão, criticou o fato de a presidente Dilma ter
feito a consulta. Segundo ele, isso caberia ao Congresso.
"A mim parece que o Executivo não tem papel nessa matéria. É o próprio
Congresso Nacional, só o Congresso Nacional, não há sequer iniciativa
popular. As coisas estão mal organizadas. Era preciso que o próprio
Congresso Nacional, e não o ministro da Justiça ou a presidente da
República, fizessem essa consulta. É preciso que as coisas sejam
orientadas pela pauta da legalidade, pela pauta da Constitucionalidade",
afirmou.
Cármen Lúcia respondeu que o TSE está preocupado com a legalidade e em cumprir a Constituição.
Ela disse que pode ser necessária a convocação de sessão em meio ao
recesso para tratar de questões referentes à realização do plebiscito.
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